Leia, na íntegra, material produzido pelo Instituto de Estudos para Desenvolvimento Industrial (Iedi)
Em maio, frente abril na série livre de efeitos sazonais divulgada pelo IBGE, o volume de vendas do comércio varejista brasileiro teve avanço de 1,4%, após uma queda de 3,1% em abril. Na comparação com maio de 2009, o crescimento real de vendas chega a 10,2%. No ano, a variação acumulada foi de 11,5%. Esses resultados gerais indicam que o setor encontra-se em um processo de acomodação após uma recuperação rápida das perdas relativas sofridas quando da crise internacional.
Para essa recuperação foram importantes a preservação da renda e do emprego da população, a reativação do crédito para as pessoas físicas e os incentivos tributários que o governo concedeu na compra de vários produtos, tais como os bens da linha branca, automóveis, material de construção e móveis. Um especial estímulo prevaleceu no primeiro trimestre de 2010 quando seriam definitivamente encerrados os incentivos, como no caso de automóveis. Também para esse trimestre se estendeu, na prática, o incentivo tributário para a linha branca já que as empresas do comércio anteciparam compras, formaram estoques e, assim, puderam prolongar o benefício tributário para o consumidor mesmo após o seu término em dezembro de 2009.
Os incentivos fiscais, aliados ao fato de que no corrente ano a Páscoa tenha ocorrido em março e não em abril o que inflou o resultado do primeiro desses meses tanto quanto deprimiu o do segundo e, ainda, a uma base de comparação baixa, devido aos efeitos da crise, conferiram ao primeiro trimestre de 2010 um desempenho atípico porque excessivamente elevado. Nos três primeiros meses desse ano frente ao mesmo período de 2009, o varejo cresceu 12,8%, sendo de 15,7% a evolução somente no mês de março. Erroneamente interpretado como um sintoma de explosão do consumo, esse resultado serviu de apoio às teses de que estava em curso no país um explosivo e insustentável crescimento econômico.
A economia de fato cresce de forma significativa, mas, como mostram os dados divulgados hoje pelo IBGE, não no padrão do primeiro trimestre. O mês de maio é o primeiro mês do corrente ano em que fatores atípicos não foram preponderantes para o resultado. Dessa forma, a taxa de 10,2% referente à comparação com maio de 2010 é representativa de um real dinamismo que prevalece no setor. Como convém observar, a taxa de variação do varejo no mês imediatamente anterior ao agravamento da situação internacional, agosto de 2008, foi muito próxima, ou seja, 9,9%. Significa isso dizer que após ter atravessado o período de crise, o setor voltou ao seu padrão de crescimento anterior.
Em maio, frente abril na série livre de efeitos sazonais divulgada pelo IBGE, o volume de vendas do comércio varejista brasileiro teve avanço de 1,4%, após uma queda de 3,1% em abril. Na comparação com maio de 2009, o crescimento real de vendas foi de 10,2%. No ano, refletindo um primeiro trimestre tão excepcional quanto atípico para a atividade varejista, a variação acumulada foi de 11,5%. Esses resultados gerais indicam que o setor encontra-se em um processo de acomodação após uma recuperação rápida das perdas relativas que teve quando da crise internacional.
Na relação entre maio de 2010 e o mês imediatamente anterior, na série ajustada sazonalmente, das oito atividades que compõe o comércio varejista apenas três registraram variação negativa: Móveis e eletrodomésticos (-0,3%), Outros artigos de uso pessoal e doméstico (-1,4%) e Tecidos, vestuário e calçados (–3,3%). Em sentido oposto, os maiores crescimentos foram vistos em Combustíveis e lubrificantes (2,0%), Livros, jornais, revistas e papelaria (1,7%), Artigos farmacêuticos, médicos, ortopédicos, de perfumaria e cosméticos (1,6%), Hipermercados, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo (0,8%) e Equipamentos e material para escritório, informática e comunicação (0,3%). Dentro do comércio varejista ampliado (crescimento de apenas 0,1%), podemos destacar o desempenho negativo de Veículos, motos, partes e peças (-1,1%) e positivo de Material de Construção (2,4%).
Na comparação mensal (mês/ mesmo mês do ano anterior), todas as atividades apresentaram resultados positivos, destacados por ordem de contribuição: Hipermercados, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo (8,2%), Móveis e eletrodomésticos (19,5%), Tecidos, vestuário e calçados (11,8%), Artigos farmacêuticos, médicos, ortopédicos, de perfumaria e cosméticos (13,2%), Combustíveis e lubrificantes (6,0%), Equipamentos e material para escritório, informática e comunicação (28,7%), Outros artigos de uso pessoal e doméstico (3,0%) e Livros, jornais, revistas e papelaria (9,7%). Veículos, motos, partes e peças (6,4%) e Material de Construção (19,9%) também registraram variações positivas.
No acumulado entre janeiro e maio de 2010, frente ao mesmo período de 2009, foram observados resultados positivos em todos os segmentos pesquisados pelo IBGE. Os maiores destaques formam: Equipamentos e material para escritório, informática e comunicação (26,5%), Móveis e eletrodomésticos (21,3%), Veículos, motos, partes e peças (17,1%), Material de Construção (17,0%), Artigos farmacêuticos (12,8%) e Tecidos e vestuários (11,6%).
Regiões. A partir dos dados de volume de vendas dessazonalizados, na passagem de abril para maio verificou-se que das 27 regiões contempladas pela pesquisa, 18 assinalaram variações positivas. As principais pressões positivas vieram de: Paraíba (4,3%), Maranhão (3,8%), Mato Grosso do Sul (3,6%), Espírito Santo (2,6%) e Paraná (2,5%). As principais quedas ocorreram no Acre (-5,5%), Alagoas (-4,1%), Tocantins (-2,4%) e Amazonas com -1,2%.
No confronto de maio de 2010 com maio de 2009, houve 27 resultados positivos, sendo os principais: Rondônia (42,0%), Tocantins (40,1%), Mato Grosso (20,2%), Amapá (20,0%), Acre (19,4%) e Maranhão (17,6%). Quanto à participação na composição da taxa do comércio varejista os destaques sobressaíram, pela ordem, São Paulo (10,3%), Rio de Janeiro (9,8%), Minas Gerais (10,9%), Rio Grande do Sul (8,5%) e Paraná (8,6%). Quanto à variação acumulada entre janeiro e maio (8,8%), contra idêntico período de 2009, todos os estados apresentaram resultados positivos, sendo os principais: Rondônia (18,6%), Sergipe (15,0%), Acre (14,8%), Piauí (13,8%), Alagoas (12,7%) e Ceará (12,3%).