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Mastersaf recebe aporte de capital para fazer aquisições

A Mastersaf, companhia especializada em software para a área tributária, pretende reforçar uma tendência projetada pelas principais consultorias internacionais: a da consolidação do mercado de tecnologia da informação (TI) no país, com um aumento significativo do número de fusões e aquisições neste ano.

Para ajudar a financiar as compras, algumas delas já em negociação, a empresa fechou um acordo pelo qual vai receber um aporte de R$ 50 milhões do fundo de participações DGF Investimentos. As companhias não revelam o percentual adquirido, mas o contrato prevê o aumento do conselho da Mastersaf, que passará de três para cinco assentos. Um dos novos assentos será ocupado pela DGF, que terá posição minoritária, e o outro ficará para um conselheiro independente.

"Com o movimento, o objetivo não é só obter capital, mas contar com a experiência da DGF na área de aquisições", diz Jander Martins, sócio da Mastersaf. A estratégia da companhia, atualmente concentrada em grandes corporações, é ganhar acesso a tecnologias e produtos destinados a clientes de porte menor. As empresas médias entraram no foco da Mastersaf porque estão tendo de se adaptar às novas regras tributárias, o que exige investimento na automatização desse tipo de processo.

As negociações, iniciadas há dois anos, foram relativamente longas. A DGF chegou a aprovar uma proposta com seus investidores - que incluem Petros, Funcef, BNDES e BID, entre outros -, mas o negócio não foi concluído porque os sócios da Mastersaf ainda finalizavam o processo de compra de uma fatia que estava nas mãos de outro fundo de investimento.

O acordo é o 23º investimento da DGF no Brasil. Vários deles foram fechados no setor de TI, diz Sidney Chameh, sócio-fundador da companhia de participações. "Nosso primeiro investimento na área foi na Logocenter, em 1999. Mais tarde, ajudamos na aquisição da Logocenter pela Microsiga, o que deu origem à Totvs", diz o executivo.

Os programas da Mastersaf integram os pacotes de gestão empresarial da alemã SAP e da americana Oracle - as duas maiores fornecedoras globais desse tipo de software. É um arranjo comum na área: as multinacionais fornecem programas próprios, mas também integram software de parceiros, principalmente quando o tema está sujeito a muitas características locais, caso da área tributária.

As principais questões tributárias, comuns a companhias de qualquer área de atividade, já são atendidas pela Mastersaf com os programas atualmente disponíveis, diz Cláudio Coli, presidente da empresa. Há, no entanto, uma série de oportunidades em segmentos específicos, que obedecem a regras próprias de tributação, afirma o executivo. É para empresas que fazem programas destinados a esses nichos de mercado que a Mastersaf está olhando, em busca de aquisições.

O foco da Mastersaf é o desenvolvimento de tecnologia. A venda e a implantação dos programas são feitas por meio de parceiros comerciais. É esse modelo, diz Coli, que permite à companhia ter uma atuação nacional, sem elevar demais os custos para manter a estrutura. "Temos 160 colaboradores diretos, mas o número de consultores certificados ultrapassa mil profissionais", afirma. O faturamento da companhia não é revelado.

A emissão obrigatória da nota fiscal eletrônica é um exemplo do tipo de medida que vai movimentar o setor, dizem os executivos da Mastersaf. Pouco mais de 181 mil empresas emitem o documento, mas sua adoção está em processo de massificação para alcançar a totalidade das empresas inscritas nos cadastros dos Estados.

O aporte de capital inicialmente contará com recursos da DGF, mas, dependendo do volume de aquisições, poderá incluir outras fontes de recursos, como financiamentos intermediados pelo fundo com seus investidores, diz Chameh. Outra possibilidade é usar o caixa da Mastersaf para efetivar as transações.

Jornal Valor Econômico


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